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Hobby

Eu adoro achar erros nos livros da Zíbia Gasparetto.

Será que os espíritos ficam bravos comigo ?

O último que eu li foi "Um amor de verdade".

Recomendo.

 



Escrito por carla bonfim às 15h01
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CASO VERÍDICO

Essa eu conto pra todo mundo. Mas vamos ver se consigo contar escrevendo.
O médico, amigo meu, estava dando plantão e chamou o próximo paciente.
- Waldisnei .
Silêncio.
- Waldisnei!
Silêncio.
- O Waldisnei não veio?
Eis que um cidadão bem simples levanta a mão e pergunta:
- Doutor, é com W ?
- É.
- Sou eu. É Walt Disney.


Escrito por carla bonfim às 12h59
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ESSA FOI FODA

Consta que minha primeira palavra foi “mamãe”. Nada muito original, eu sei. Podia inventar outra, mas não sou boa nisso.
Depois vieram as pronúncias erradas. Coisas que o meu pai lembra até hoje. Ele adora contar, dando risada, que eu dizia “indiota” e “harroroso” quando queria ofender alguém.
Da palavra que eu mais gostava de escrever depois de alfabetizada, lembro muito bem. Era meu nome: CARLA. Escrevia em todo lugar. No caderno, na parede, no chão de casa. Duzentas vezes. Uma vez eu li que isso tem a ver com auto-afirmação. Não sei. Eu só me lembro das broncas da minha mãe.
Nas provas, às vezes escrevia meu nome com K : KARLA. E no dia em que minha professora perguntou se meu nome era com C ou com K, me senti extremamente confusa. Eu não podia escolher, então ? Só pra variar um pouco? Que coisa mais limitante: eu seria sempre uma Carla com C.
Decepção maior foi quando eu, na tentativa de ampliar meu vocabulário, perguntei a outra professora o que significava se foder. Ela apenas disse: “nunca mais diga isso”, sem se comover com minha curiosidade.
Depois de me conformar em ser uma Carla com C e perceber que certos significados eu aprenderia em lugares menos nobres, ganhei meu primeiro livro, de um tio.
Não consigo me lembrar do primeiro sutiã por mais que me esforce, mas não esqueço o livro que se chamava “Os desastre de Sofia”. Falava sobre uma menina da minha idade e suas encrencas. O livro tinha uma capa dura amarela e tantas páginas que pensei que não viveria tempo suficiente para lê-las. Eu tinha sete anos.
Do ginásio, lembro de conjugar verbos e decorar regras.
Do colegial, de inesquecíveis aulas de literatura.
Do vestibular, de passar por causa da redação.
Da faculdade de direito, de acirrados debates.
Do curso de publicidade, de poder brincar com as palavras.
Desde que me conheço por gente, de escrever poesia.
Mas minha história é mais com a língua escrita. O papel aceita tudo sem julgamentos. Com meus escritos declaro mais facilmente meus ódios e paixões. QUANDO ACHO CABÍVEL, ENTREGO À FONTE DE INSPIRAÇÃO. No mais, escrevo pra mim. Leio e releio. (sou daquelas que lambe a cria)
Escrevendo sinto-me mais viva do que nunca. Escrevo porque preciso. Escrevo, logo existo. É mais ou menos isso.

Esse texto está no meu livro "Trinta anos". A revisora fez o favor de mudar "entrego à fonte de inspiração" para "entrego-me à fonte de inspiração". Ficou parecendo que eu dava pra todo mundo que me inspirava amor ou ódio. E o pior foi que eu só vi depois que o livro foi publicado. Por isso na dúvida, sempre pergunto ao autor: o que você quis dizer com isso?   


Escrito por carla bonfim às 15h49
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